Com a união de outras bandas a sua volta, a Two Tone se convertera em mais que um selo, se tornara um movimento musical, responsável pelo ressurgimento do Ska, renascimento esse que ia além de um mero "Revival", pois trazia elementos novos para o Ska, tanto do ponto de vista musical, quanto das letras e atitudes.
Musicalmente o Ska da Two Tone trazia resquícios do Punk Rock e de outros ritmos, portanto era um Ska "energético" e mais elaborado. As letras agora estavam mais elaboradas e com temas mais amplos, no caso dos The Specials estavam também mais politizadas, enfocando temas contra o racismo, estupros, a guerra fria e o desemprego causado pela política de Margareth Tatcher,a "Dama de Ferro" da Inglaterra. O lado politizado dos The Specials não ficava só nas letras, mas também na participação em campanhas como a de solidariedade ao Camboja.
A Two Tone inovou, mas não esqueceu os clássicos do "Ska Sessentista Jamaicano", e o The Specials regravaram "Guns of Navarone" (The Skatalites), a The Beat atacou com "Tears of a Clown" (The Miracles), as The Bodysnatchers, banda inteiramente feminina, trouxe de volta "Let´s Do Rock Steady" (Dandy Livingstone), enfim, praticamente todas as bandas de Ska surgidas no rastro da Two Tone regravaram alguma canção dos músicos de Ska dos anos 60.
O êxito da Two Tone e a regravação dos clássicos do Ska, também abriram caminho para os veteranos do Ska e do Reggae. Desmond Dekker, Lauriel Aitken, Prince Buster, Judge Dread, Toots and The Maytals e outros estavam de volta do esquecimento e retornaram aos estúdios e palcos, redescobertos pela nova geração de aficcionados pelo Ska. Os novos fãs de Ska logo também começaram a montar suas bandas, seguindo a receita da Two Tone, o resultado nem sempre era positivo, pois muitas bandas novas não eram mais que cópias de qualidade inferior das bandas originais da Two Tone, ou então, estavam apenas pegando uma carona oportunista na chamada "Segunda Onda do Ska"
2 Tone e seu fim
A Two Tone cresceu e saiu do controle de seus criadores, o impacto inicial também já tinha passado, vieram as críticas negativas e o modismo, de repente milhares de clones de "Walt Jabsco" (aquele desenho de Rude Boy que se tornou a marca registrada da Two Tone) povoaram as ruas do Reino Unido. Em 1980 bandas como a The Selecter e a Madness estavam fora da Two Tone.
Em 1981 a Two Tone está em crise, tanto que até mesmo os The Specials, após o lançamento do single "Ghost Town", acabaram, mas Jerry Dammers e outros integrantes seguem tocando com o antigo nome The Special AKA, porém, aquele movimento musical do início estava desgatado, praticamente desfeito, mas o selo Two Tone seguiu ativo até 1985.
O último lançamento significativo da Two Tone foi o Lp "In The Studio" do Special AKA, este disco trazia fortes críticas políticas, mas musicalmente era bem diferente dos discos dos Specials, e também já não trazia a estética Rude Boy do início dos The Specials.
Das bandas que inicialmente integraram a Two Tone, a maioria seguiu tocando e gravando durante a primeira metade da década de 80, sendo que destes grupos o mais duradouro foi o Madness, que lançou seu último Lp em 1986. A Two Tone acabou, mas deixou sua herança, retirou o Ska das sombras do esquecimento e o transformou em um ritmo vivo e resistente.
Bandas como, The Toasters, Bim Skala Bim, The Slackers e toda a chamada "Terceira Onda do Ska ou 3rd Wave", beberam na fonte e seriam impensáveis sem o legado da Two Tone.
Fontes:
- Marshall, George, Espírito de 69. A Biblía do Skinhead, Trama Editorial, São Paulo, 1993.
- Freire, Carlos, The Clash. O Futuro não está Escrito, Fora do texto, Combra, 1992.
- Puissant, Hamel, Skinheads: mitos e realidades, La Letra A, nº35, abril-maio,1992, Espanha.
- The Two Tone Story (encarte do Lp duplo com o mesmo nome), 1990.
Musicalmente o Ska da Two Tone trazia resquícios do Punk Rock e de outros ritmos, portanto era um Ska "energético" e mais elaborado. As letras agora estavam mais elaboradas e com temas mais amplos, no caso dos The Specials estavam também mais politizadas, enfocando temas contra o racismo, estupros, a guerra fria e o desemprego causado pela política de Margareth Tatcher,a "Dama de Ferro" da Inglaterra. O lado politizado dos The Specials não ficava só nas letras, mas também na participação em campanhas como a de solidariedade ao Camboja.
A Two Tone inovou, mas não esqueceu os clássicos do "Ska Sessentista Jamaicano", e o The Specials regravaram "Guns of Navarone" (The Skatalites), a The Beat atacou com "Tears of a Clown" (The Miracles), as The Bodysnatchers, banda inteiramente feminina, trouxe de volta "Let´s Do Rock Steady" (Dandy Livingstone), enfim, praticamente todas as bandas de Ska surgidas no rastro da Two Tone regravaram alguma canção dos músicos de Ska dos anos 60.
O êxito da Two Tone e a regravação dos clássicos do Ska, também abriram caminho para os veteranos do Ska e do Reggae. Desmond Dekker, Lauriel Aitken, Prince Buster, Judge Dread, Toots and The Maytals e outros estavam de volta do esquecimento e retornaram aos estúdios e palcos, redescobertos pela nova geração de aficcionados pelo Ska. Os novos fãs de Ska logo também começaram a montar suas bandas, seguindo a receita da Two Tone, o resultado nem sempre era positivo, pois muitas bandas novas não eram mais que cópias de qualidade inferior das bandas originais da Two Tone, ou então, estavam apenas pegando uma carona oportunista na chamada "Segunda Onda do Ska"
2 Tone e seu fim
A Two Tone cresceu e saiu do controle de seus criadores, o impacto inicial também já tinha passado, vieram as críticas negativas e o modismo, de repente milhares de clones de "Walt Jabsco" (aquele desenho de Rude Boy que se tornou a marca registrada da Two Tone) povoaram as ruas do Reino Unido. Em 1980 bandas como a The Selecter e a Madness estavam fora da Two Tone.
Em 1981 a Two Tone está em crise, tanto que até mesmo os The Specials, após o lançamento do single "Ghost Town", acabaram, mas Jerry Dammers e outros integrantes seguem tocando com o antigo nome The Special AKA, porém, aquele movimento musical do início estava desgatado, praticamente desfeito, mas o selo Two Tone seguiu ativo até 1985.
O último lançamento significativo da Two Tone foi o Lp "In The Studio" do Special AKA, este disco trazia fortes críticas políticas, mas musicalmente era bem diferente dos discos dos Specials, e também já não trazia a estética Rude Boy do início dos The Specials.
Das bandas que inicialmente integraram a Two Tone, a maioria seguiu tocando e gravando durante a primeira metade da década de 80, sendo que destes grupos o mais duradouro foi o Madness, que lançou seu último Lp em 1986. A Two Tone acabou, mas deixou sua herança, retirou o Ska das sombras do esquecimento e o transformou em um ritmo vivo e resistente.
Bandas como, The Toasters, Bim Skala Bim, The Slackers e toda a chamada "Terceira Onda do Ska ou 3rd Wave", beberam na fonte e seriam impensáveis sem o legado da Two Tone.
Fontes:
- Marshall, George, Espírito de 69. A Biblía do Skinhead, Trama Editorial, São Paulo, 1993.
- Freire, Carlos, The Clash. O Futuro não está Escrito, Fora do texto, Combra, 1992.
- Puissant, Hamel, Skinheads: mitos e realidades, La Letra A, nº35, abril-maio,1992, Espanha.
- The Two Tone Story (encarte do Lp duplo com o mesmo nome), 1990.
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