5 de janeiro de 2010

Uma breve história do Psychobilly

Como um bando de Vampiros, Punks e Teddy Boys transformaram a Hillbilly Music.

No princípio, havia o Rockabilly. Música selvagem, primal e sexual tocada no baixo, bateria e guitarras pelos Hillbillies. Depois houve o Punk. Música selvagem, primal e politizada, tocada por garotos de subúrbios de onde quer que fosse. O que aconteceu quando essas duas forças colidiram em Londres no fim dos anos 1970? Foi um Psychobilly freak-out!

Entre 1980 e 1985, as músicas mais legais eram tocadas por homens que usavam topetes de torre, grandes coturnos e, ocasionalmente, vestidos. Pelas doces vielas de Hammersmith Claredon, o Klub Foot ressoava a Voodoo-Beat dos Meteors, King Kurt, The Stringways, Guana Batz e The Polecats, com uma audiência preparada para beber, pogar e gritar com músicas sobre Lobisomens, Aliens e Bananas.

Como tudo isso rolou tão bem?

O nome foi primeiramente usado por Johnny Cash, enquanto ele descreve seu “Psychobilly Cadillac” na faixa de 1976 “One Piece at Time”. Mais ou menos ao mesmo tempo, Lux Interior e Ivy Rorschach estavam tirando do baú antigos discos de Rockabilly em Ohio. Com o tempo eles se mudaram para Nova York e se tornaram The Cramps. Eles possuíam o método perfeito de injetar aquelas melodias febris na jugular do Punk. O Cramps e seu EP de 1979 “Gravest Hits” foram uma influência importante no British Psychobilly.

Os sinais já estavam todos lá. Enquanto o Punk ruía, Roger Armstrong e Ted Carroll fundaram seu selo Chiswick, que vendia discos raros aos Teddy Boys, em lugares como o White Hart em Totternham, “onde você poderia achar uma banda retro, uma cerveja e boa diversão se você não estiver deslocado”, lembra Roger. Felizmente, Ted e Roger deram uma dentro com o legendário Rei dos Teddies, Sunglasses Ron. Logo depois eles já estavam lançando discos de bandas novas como Whirlwind, que faziam um Rockabilly extremamente correto, mas que não fazia parte da cena Teddy.

Mais bandas começaram sendo evitadas pelos tradicionais Teds, levando o povo pros lugares onde as bandas Punks tocavam – bandas como The Polecats, que incluía o futuro colaborador do Morrisey Boz Boorer, e Levi and The Rockers. Ao mesmo tempo, havia um revival do garage 60’s, que estavam espalhando mais sons estridentes ao gosto do Thee Milkshakes, de Billy Childish.

“As duas cenas colidiram e acharam uma causa comum nos híbridos selvagens de Rock’n’Roll”, explica Roger. “Naquela época o Punk já tinha quase acabado e o Psychobilly passou a ser o lugar para ser jovem e pogar furioso”.

Nick Garrad começou a empresariar o trio chamado The Meteors em 1979. Inspirado pelos Cramps e pelo seu amor tanto pelo Punk como pelo Rockabilly, ele previu que o caminho a seguir seria “uma fusão dos dois estilos”. Com os talentos do baixista Nigel Lewis, do baterista Mark Robertson e o cantor/guitarrista Peter Paul French, eles não levaram muito tempo pra mostrar que a teoria de Garrad estava certa. Eles gravaram o EP “Meteor Madness” e o single “Radioactive Kid” e provaram que o mundo estava preparado para contos sobre mutantes adolescentes levadas numa Horrorbilly Beat aterrorizante e absurda.

Essas gravações, assim como o LP “Smell of Female” do The Cramps, inspiraram a erupção da psicose Rockabilly. Bandas começaram a pegar guitarras e baixos, levantando os seus cabelos contra a gravidade em topetes gigantes e tocando um puteiro (Psyching Out!). Talvez o mais espetacular a emergir desse movimento foram aqueles com os maiores topetes.

Os membros da banda de King Kurt tinham nomes como Smeg, Thwack e Maggott. Seu emblema era um rato e seus instrumentos pareciam vindos do set de Tiswas (um programa infantil inglês dos anos 70). Às vezes, eles só permitiam homens em seus shows se eles fossem usando vestidos. “Sim, nosso público gostava de ser humilhado”, relembra o guitarrista Paul Laventhol, aka Thwack, “ e hoje, 20 anos depois, temos isso como a base do entretenimento popular!”. Kurt fez um acordo com Stiff e seu single “Destination Zulu Land” rolou bem em 1983.

Pista de dança oficial do Psychobilly, o Klub Foot é fundamentalmente lembrado. “Na noite em que o primeiro LP de “Stompin’ at the Klub Foot” foi gravado, eles tinham 1200 pessoas lá dentro”, diz o guitarrista da Stingrays, Mark Holsking. “Não podíamos sair do palco – e muito menos chegar perto do bar”.

Os discos “Stompin’ at the Klub Foot”, bem como os “Rockabilly Psychosis and The Garage Disease” catalogaram a cena como ela era, revelando uma diversidade de talentos. “Era como uma grande igreja, onde até o The Pogues saiu”, considera Roger Armstrong. Quando o Clarendon foi escavado em 1987 para se fazer uma nova estação de ônibus, a cena já havia se diversificado para uma existência maior. Ainda existia um revival além do Atlântico.

“A maioria das novas bandas americanas se parecem com as antigas bandas inglesas”, diz Nick Garrad. “Mas eu não tenho do que reclamar. Eu continuo fazendo dinheiro em cima de “Radioactive Kid’ 45”.

Roger Armstrong continua a lançar discos brilhantes (veja: http://www.acerecords.co.uk/). E a banda que começou tudo isso – bem, segundo Roger, nunca haverá uma banda como The Cramps. “Esse é o trabalho de vida deles. Eles não conseguem simplesmente sair tranqüilamente para um dia de trabalho”.

Por Cathi Unsworth
Tradução livre feita por Philip Rossetto

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